PARTE I
PARTE II
PARTE III
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Primeiro Ensaio - 10 de setembro de 2009 - Comentários da Diretora
Apesar de já termos nos encontrado antes para apresentação do projeto e estudo do autor, esta foi a primeira vez em que pusemos em prática o que havíamos apenas falado antes.
Houve descobertas de relações e criações de imagens bastante pertinentes à peça.
Houve também um princípio do jogo "dominante X dominado" proposto por mim, mas o jogo ainda está se dando em níveis distintos. Muito claro: Aldeba domina Padu fisicamente. Padu domina Aldeba emocionalmente. É preciso encontrar uma região em que a vibração de um encontra a vibração do outro para que haja o confronto entre as forças interiores de cada um - força de atração e de repulsão - de modo que tais vibrações componham um elemento único, homogêneo (por funcionarem em dependência uma da outra), mas heterogêneo (por possuirem objetivos diversos).
Houve descobertas de relações e criações de imagens bastante pertinentes à peça.
Houve também um princípio do jogo "dominante X dominado" proposto por mim, mas o jogo ainda está se dando em níveis distintos. Muito claro: Aldeba domina Padu fisicamente. Padu domina Aldeba emocionalmente. É preciso encontrar uma região em que a vibração de um encontra a vibração do outro para que haja o confronto entre as forças interiores de cada um - força de atração e de repulsão - de modo que tais vibrações componham um elemento único, homogêneo (por funcionarem em dependência uma da outra), mas heterogêneo (por possuirem objetivos diversos).
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
DEFESA DO PROJETO - 01/09/2009
- SINOPSE
Devlin e Rebecca conversam a respeito de um homem do passado dela, com quem ela mantinha uma relação sexual abusiva e sádica.
Devlin a interroga sobre esse homem, buscando fazê-la falar de seu passado. A figura dele é sombria. Devlin tanto pode ser o terapeuta de Rebecca, quanto seu marido e até mesmo o amante-torturador dela.
Ao longo da conversa - que vai sofrendo cortes, interrupções abruptas e fugas ilógicas de assunto, Devlin vai sugerindo um estado de hipnose à Rebecca, até que ela começa a narrar a história de uma mulher que, na tentativa de evitar que soldados tomem seu bebê, esconde a criança em uma trouxa. Ao ser descoberta por um soldado, a mulher constata que seu bebê havia morrido sufocado. Durante a narrativa, Rebecca vai se colocando no lugar dessa mulher e a história passa a ser contada em primeira pessoa.
- Dominação X Submissão
EUA X Oriente Médio
Israel X Palestina
- RECORTE
Peça de 1996. Indicação no texto -> Tempo: Agora
Indício de acontecimentos na Segunda Guerra.
Rebecca já era mãe na Segunda Guerra.
Supondo que tinha, no mínimo, 15 anos em 1945 (fim da Guerra).
Teria 66 anos em 1996 e não quarenta e poucos, como indicado também no texto.
CONSIDERAÇÕES DOS ORIENTADORES ACERCA DO PROJETO
Observações e dicas dos orientadores acerca do meu projeto:
- Zé adora autor, acha que Pinter é um dos maiores autores contemporâneos a nós (faleceu em dezembro de 2008)
- Não a melhor peça, mas muito boa.
- Especificar quando se passa a ação da peça.
- Circunstâncias dadas.
- Motivo pessoal (legal) mas jogar no plano do público. O que se quer transformar no público?
- Cuidado com a tentação da alegoria.
- Impacto está na progressão.
- Quando se quer chegar ao irreal/surreal, é preciso ter o real como parâmetro.
- Cortar texto.
- Explicitar o conflito.
- Mudar título.
- Peça que começa mais chão e se alegoriza.
PORQUÊS
No começo do ano, comecei a procurar textos que pudesse montar em Direção V. Fiz uma busca por livrarias, bibliotecas, sebos e na estante da minha casa. Dentre vários livros que havia comprado, estava o Teatro II, de Harold Pinter, uma edição portuguesa. Fiquei indecisa entre duas peças - a outra era Victoria Station - e decidi por escolher a que julgava mais difícil, Cinza às Cinzas, por se tratar de uma peça em que o foco do diretor deve estar o tempo todo nos atores. Somente os atores podem contar esta história, sendo qualquer elemento que não os corpos deles demasiado na narração.
Comecei a adaptar o texto para o Português do Brasil em março. Com o início das aulas, deixei este trabalho um pouco de lado, porque era muito trabalhoso e também porque queria estudar um pouco mais sobre o autor, a fim de que a adaptação não fugisse à lógica proposta por ele.
Nesse meio tempo, cogitei a hipótese de montar uma peça escrita por um amigo meu, muito talentoso. Chegamos à conclusão de que o tempo não permitira uma produção de qualidade e decidi então continuar com Pinter. Também nessa época comecei a achar que talvez essa peça fosse muita areia para o meu caminhão. Mas ouvi do Zé que até era, mas eu poderia carregar aos poucos, em diversas viagens.
Pronto!
Em junho retornei ao trabalho "braçal" e, terminado, comecei a pensar no projeto que atendesse às exigências dos orientadores e às minhas. Foi aí que comecei a conseguir verbalizar o porquê da minha escolha e explicar melhor a peça a quem perguntasse.
Quero montar Cinza às Cinzas porque é importante mostrar às pessoas que a violência velada é a pior forma de violência do mundo, porque faz a vítima acreditar que está tudo bem que nunca sofreu nada, que é amado e cuidado por quem, na verdade, é o seu maior algoz. Lógico que falo de questões políticas, Cinza é uma peça política. Alguém duvidaria de que Devlin é uma super potência e Rebecca um país subdesenvolvido? Se levarmos a peça para uma das inúmeras temáticas que se pode extrair dela, somente uma delas...
Mas Cinza também fala de uma relação na qual os papéis de dominante e dominado são alternados. Não há como afirmar com toda certeza que Devlin é cruel e Rebecca coitada. Há alguma coisa nessa peça que transborda a encenação e é completada de acordo com a história de vida de cada pessoa que a ela assiste. Fico sim imaginando a reação do público ao término dela. Acho que a peça causa descorforto, estranhamento e, ao mesmo tempo, é tudo tão próximo do que vivemos.
O que é o bem e quem é bom? A maldade é um vício ou uma estratégia de sobrevivência? Não, isso não está no texto, está além dele.
Aplausos? Até gostaria, mas prefiro que a peça suscite discussões e conflitos nas cabeças do espectadores durante, no mínimo, algumas semanas.
Comecei a adaptar o texto para o Português do Brasil em março. Com o início das aulas, deixei este trabalho um pouco de lado, porque era muito trabalhoso e também porque queria estudar um pouco mais sobre o autor, a fim de que a adaptação não fugisse à lógica proposta por ele.
Nesse meio tempo, cogitei a hipótese de montar uma peça escrita por um amigo meu, muito talentoso. Chegamos à conclusão de que o tempo não permitira uma produção de qualidade e decidi então continuar com Pinter. Também nessa época comecei a achar que talvez essa peça fosse muita areia para o meu caminhão. Mas ouvi do Zé que até era, mas eu poderia carregar aos poucos, em diversas viagens.
Pronto!
Em junho retornei ao trabalho "braçal" e, terminado, comecei a pensar no projeto que atendesse às exigências dos orientadores e às minhas. Foi aí que comecei a conseguir verbalizar o porquê da minha escolha e explicar melhor a peça a quem perguntasse.
Quero montar Cinza às Cinzas porque é importante mostrar às pessoas que a violência velada é a pior forma de violência do mundo, porque faz a vítima acreditar que está tudo bem que nunca sofreu nada, que é amado e cuidado por quem, na verdade, é o seu maior algoz. Lógico que falo de questões políticas, Cinza é uma peça política. Alguém duvidaria de que Devlin é uma super potência e Rebecca um país subdesenvolvido? Se levarmos a peça para uma das inúmeras temáticas que se pode extrair dela, somente uma delas...
Mas Cinza também fala de uma relação na qual os papéis de dominante e dominado são alternados. Não há como afirmar com toda certeza que Devlin é cruel e Rebecca coitada. Há alguma coisa nessa peça que transborda a encenação e é completada de acordo com a história de vida de cada pessoa que a ela assiste. Fico sim imaginando a reação do público ao término dela. Acho que a peça causa descorforto, estranhamento e, ao mesmo tempo, é tudo tão próximo do que vivemos.
O que é o bem e quem é bom? A maldade é um vício ou uma estratégia de sobrevivência? Não, isso não está no texto, está além dele.
Aplausos? Até gostaria, mas prefiro que a peça suscite discussões e conflitos nas cabeças do espectadores durante, no mínimo, algumas semanas.
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